Varejo do interior espera melhor Natal da década


      O varejo das cidades que são centros do agronegócio nacional se prepara para ter o melhor Natal dos últimos dez anos. Nessas cidades do interior, lojistas ampliaram em até 30% o volume de seus estoques para a data. Além do crescimento no agronegócio, o comércio dessas cidades recebe agora o estímulo da chegada das indústrias, que montam cada vez mais fábricas no interior do País. A projeção dos lojistas é obter um incremento real entre 7% a 15% nas vendas natalinas deste ano na comparação com 2003, tendo em vista o crescimento registrado durante o ano.Esperamos o melhor Natal dos últimos dez anos, conta Wilson Marinho da Cruz, que preside a Associação Comercial e Industrial de Araçatuba (Acia).

      Na cidade, do interior de São Paulo, os lojistas acumulam alta real entre 6% a 8% nas vendas deste ano, em comparação com 2003, conforme conta Cruz. De acordo com o presidente da Acia, o comércio de Araçatuba, que congrega cerca de 5.600 lojas, aumentou em 30% os estoques para o Natal, com expectativa de vendas entre 10% a 15% maiores do que no ano passado.O otimismo se repete em Ribeirão Preto (São Paulo), Londrina (Paraná), Uberlândia (Minas Gerais) e Dourados (Mato Grosso do Sul), cidades em que o comércio projeta vendas maiores, em virtude, também, dos bons resultados de datas festivas anteriores, como Dia das Mães e Dia da Criança.Em Ribeirão Preto, os estoques para o Natal deste ano estão 10% maiores do que em 2003 e a projeção é de um crescimento real de até 7% nas vendas. Na cidade de Londrina, a alta no estoque é de 20%, com a projeção de crescimento de 12% sobre as vendas do Natal passado. A expectativa dos comerciantes de Uberlândia é registrar crescimento real entre 10% e 20% nas vendas natalinas.

      Os comerciantes de Dourados projetam um incremento nominal de até 40% nas vendas.IndústriaPara representantes do comércio de cidades do interior, o crescimento do varejo neste ano reflete a entrada e o crescimento da indústria na região. Com a alta carga tributária das capitais, os industriais buscam municípios no interior. Em Londrina, 70 indústrias se instalaram na cidade apenas neste ano, conforme relata José Augusto Rapcham, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). O crescimento industrial é um dos fatores que explicam os bons resultados neste ano, além do desempenho do agronegócio, avalia o executivo. O comércio em Londrina acumula alta de 20% no faturamento deste ano sobre 2003. Se a indústria vai bem, o comércio também vai bem.

      Em nossa cidade acontece essa situação, comenta Andréia van Herk, gerente de relacionamento corporativo da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Uberlândia (CDL Uberlândia). O varejo da cidade, situada no triângulo mineiro, acumula em 2004 crescimento de 9% sobre o ano passado.Já em Ribeirão Preto, a alta real nas vendas foi de 7% em 2004 sobre o ano passado. Está sendo um ótimo resultado, levando-se em consideração que o comércio da cidade registrou fortes vendas em 2003, afirma Francisco Carlos Júlio Pinghera, presidente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp). Pinghera concorda com a avaliação de seus pares de que a indústria está contribuindo para as vendas maiores em sua cidade.

      Assim como o agronegócio, a indústria já é um fator de estímulo ao comércio de Dourados, comenta Jairo de Osti, presidente da Associação Comercial e Industrial de Dourados (Acid). De acordo com o executivo, as vendas do comércio registraram crescimento nominal entre 10% e 15% neste ano, apesar de resultados que considera abaixo do esperado nas safras de soja e trigo.QualificaçãoAs grandes cidades do interior brasileiro atravessam um momento de qualificação do comércio, com o crescimento das grandes redes na região.Várias redes varejistas, como Magazine Luiza , Ponto Frio e Colombo , buscaram neste ano o mercado de grandes cidades do interior brasileiro para incrementar seus resultados. O varejo de motocicletas também se expande para fora das regiões metropolitanas: Honda e Yamaha abriram 40 lojas no interior, das 62 inaugurações deste ano.

      Reduziram-se a informalidade e o pequeno comércio, enquanto as grandes redes crescem, conta Rapcham, da Acil.E ainda há espaço para crescimento do grande varejo no interior. No próximo dia 23, a C&A inaugura loja em Uberlândia, que recebeu neste ano as redes de móveis e eletrodomésticos Colombo e Ricardo Eletro . Dourados deve receber em breve lojas da Pernambucanas e C&A, de acordo com Osti, da Acid.